Texto de 24/10/2007


Superar obstáculos, transformar adversidades em situações de crescimento.
Diz o Professor Hermógens, se você sofre, parabéns.
O que ele quer dizer?
Está aí uma oportunidade para crescimento.
Eu, Thiago, neto do Professor Hermógenes, e o Professor Hermógenes, estivemos em Balneário Camboriú, esta última semana, a convite do espaço Yoga Spanda, hoje sob coordenação da professora Ro Pacheco, que ministra aulas de yoga a aproximadamente 20 anos.
Entre seus vários alunos que se destacam na região, 2 primos, que já administram seu próprio espaço, Prana & Yoga, seus nomes, Vinícius e Figue, 35 e 34 anos respectivamente.
Além de primos, são parceiros especiais, e se completam de forma única, não só no comportamento e nas conversas, mas também no dia-a-dia, uma vez que Figue tem seqüelas de um acidente automobilístico, e não enxerga.
Esta entrevista-conversa ocorreu em um adorável almoço vegetariano.


Figue, como o yoga surgiu pra você?
F- Através do esporte, tinha necessidade, eu fiquei muito parado depois do acidente.
Era um surfista quase profissional. Depois do acidente, fiquei quase três anos em casa.
O Vini (Viníciu) me levou pra Jiu-jutsu, e escalar montanha.
Senti a necessidade de melhorar respiração e concentração.
Na época, o Vinícius era advogado e tinha um namoro sério.
Como vocês conheceram-se?
F- Desde nascimento, somos primo-irmãos.
A mãe do Vinícius é irmã do pai do Figue.
E este acidente de carro?
F- O acidente de carro foi em Camboriú quanto tinha 16 anos, só machucou os olhos, mais nada. Foi um ensinamento transformador, como ensinado pelo professor Hermógenes.
O acidente que me despertou.
Como você iniciou sua prática?
F- Iniciei a prática com a Rô Pacheco, com paciência.
Comecei a conhecer, porque eu sofro tanto.
Mais que a prática, as escrituras. Depois, procurei aprofundar mais, fiz curso na Montanha Encatanda, e com Pedro (Kupfer).
Como é estudar todas as coisas do yoga, sem poder ler?
F- Como os antigos yogues, escutando.
Salvo dentro da minha mente.
Ouvindo e prestando atenção.
Decorar o nome dos ásanas parecia meio difícil.
Parece que eu não ia decorar nada.
Como eram as aulas que você recebia?
F- Aula em grupo. A Rô ia descrevendo os ásanas.
Depois na primeira palavra, eu já sabia.
A descrição do ásana é muito importante. Ouvir para depois fazer, é mais forte quando monta-se ouvindo.
Por praticar o Ashtanga Vinyasa, a repetição da mesma sequência ajudava.
Exercício da atenção da ação, se distrair, você perde a seqüência.
E o Vinícius?
F- Via a necessidade do Vinícius de equilíbrio, pois ele era muito Pitta.
Fazia capoeira.

Como foi Vinícius?
V- Tive uma resistência, demorou um tempo.
Estava com minha vida, no escritório.
Chegava no escritório, me sentia desconfortável.
Fisionomia carrancuda, fechada.
Perguntei-me se queria essa vida.
Na primeira prática, já senti uma diferença.
Um amigo que foi junto, não seguiu, tivemos caminhos diferentes.
Tenho a certeza quer foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.
Sou muito agradecido ao Figue.
A gente fez os cursos de formação juntos, como parceiros.
Mesmo depois de ter feito os cursos, a Rô e o Cezar abriram portas para nossas vivências.
Aconteceu a partir daí, uma certeza muito grande, que era esse o caminho adequado de certeza e construção.
O espaço deles (o Yoga Spanda) solidificou esta certeza.
Em um ano eu cancelei a OAB.
Em seguida, saí do Yoga Spanda, e no mesmo dia encontrei a Laura Packer, ela me acalmou, me deu certeza.
As coisas clarearam, surgiu a idéia de fazer a escola na casa do Figue.
Acreditamos de um “dedo” maior em cima disto.
Com várias pessoas, família, diferentes papéis para a construção do Prana & Yoga.
Em especial ao pai e mãe do Figue, que deram uma força muito especial a este encontro.
Em momentos como a visita do Prof. Hermógenes, temos a certeza de como tudo isto foi importante, de como sustentar o yoga é importante.
Poder compartilhar algo que fez tanta diferença em nossa vida, é talvez o mais importante.
O quanto o yoga é generoso e carinhoso. Yoga é um carinho de Deus para a humanidade que sofre tanto. Gosto muito desta frase do Prof. Hermógenes.

E o Figue encerra a entrevista com a frese: Que as pessoas levem todos os sinais, de compaixão, de paciência, de amor, porque através destes gestos e atitudes a humanidade vai estar livre do sofrimento.

Para finalizar, o Professor Hermógenes quis deixar sua marca nesta entrevista, e encerrou nossa conversa nos ensinando: “Felicidade não compartilhada, ou é falsa, ou não é felicidade.”

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