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Buda um yogue indiano

Texto de 29/08/2007


Estivemos na Índia em Julho deste ano, 2007.

Um grupo de brasileiros, com o intuito de encontrar o Dalai Lama, e alguns caminhos do Buda.

Grupo pequeno, mas grandes objetivos de uma profunda busca pessoal.

7 dias de ensinamentos com o Dalai Lama.

Isto mesmo, Sua Santidade, o XIV Dalai Lama, Prêmio Nobel da Paz, emanação do Buda da Compaixão.

Os ensinamentos iniciavam após o aniversário de 72 anos de Sua Santidade, bonita festa tibetana que sempre acontece no dia 06 de julho.

7 dias que começavam no dia 07/07/07.

Estudamos o Voto do Bodisatva, Bodisatva é aquele que dedica sua vida à elevação espiritual do próximo.

Após estes valiosos aprendizados, de tão precioso professor, sob a perspectiva de textos de Tsongkapha, considerado o grande filósofo budista tibetano, acabamos por desenvolver uma perspectiva muito abrangente.

Esta perspectiva não engloba apenas, os diferentes tipos de linhagens e práticas budistas, mas também, as diferentes formas de relação com o sagrado, que existem em diferentes tradições religiosas.

Visitamos na seqüência, o local do primeiro sermão do Buda, Sarnath, a cidade sagrada de Varanasi, Rajgir, onde Buda ensinou, e depois, Bodigaya, local da iluminação.

Observamos o caminho de um yogue, que buscou aprender os diferentes tipos de ensinamentos disponíveis em sua época.

Ao reconhecer a estrutura do sofrimento em nossas vidas, e nos apontar alternativas para um caminho de compaixão, felicidade e amor, ensinou a todos.

Buda ensinou brâmanes, pessoas simples, reis, monges e comerciantes.

Não aceitava nenhum tipo de veneração, não permitia sua reprodução em imagens, para que não fossem adoradas.

Preocupava-se com o desabrochar do potencial de liberação de cada ser.

Se existe Deus? Qual a importância desta resposta, se você não ages de forma amorosa, compassiva, e livre de emoções perturbadoras.

Visitando o local que é central para todos os praticantes budistas, assistimos as diferentes formas de expressão desta busca, que é pessoal, que é interior.

Alguns recitam mantras, outros se prostram, outros rezam, e alguns, mantém as mãos em preces.

São coreanos, chineses, indianos, japoneses, tailandeses, vietnamitas, e até brasileiros, cada um na sua língua, de uma maneira diferente, buscando esta chamada liberação.

Como podemos ter a ousadia de dizer que o nosso caminho é o certo?

São tantos os caminhos que se apresentam.

Como podermos afirmar que nosso professor, lama, sensei é o melhor?

São tantos os bons mestres que se apresentam.

Não reconhecer a diversidade de expressão do sagrado, as infinitas possibilidades de superarmos as perturbações que nos impedem de nos elevarmos espiritualmente, é ir contra os ensinamentos do Buda.

Infelizmente, assistimos de vez em quando o enriquecimento de alguns supostos mestres, com dificuldades com seu ego, colocando-se acima de tradições, e ensinamentos fundamentais, colocando seu ensinamento como o melhor, ou o mais rápido. Trazendo benefícios para si, e não para seu seguidor, ou aluno.

Segundo os próprios ensinamentos do Dalai Lama, reconhecer as diferentes necessidades e capacidades de cada ser, e estabelecer a prática e o caminho adequado para ele. Este é o papel de um bom professor.

Com base nisto, ele reforça, sua prática espiritual deve despertar um coração amoroso, se ela não o faz, então, algo está errado. Este sim, um verdadeiro ensinamento budista.

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