A tradição do Ashtanga Yoga, desenvolvida inicialmente por Krishnamacharya e seu principal aluno, Pattabhi Jois, sofre mais um duro golpe em Julho de 2019.
Desde a morte de P. Jois, Sharat Rangaswami (que se auto-entitula Sharat Jois comercialmente) tem causado muitas polêmicas com sua forma de gerir a continuidade do trabalho.
No início Sharat polemizou com indas e vindas de regras sobre quem era professor autorizado pelo instituto.
As indas e vindas chegaram ao ponto do afastamento do próprio Sharat da gestão do instituto, e do papel de guru da tradição. Confira no site (aqui) que a família não o considera guru da tradição.
O Instituto
Vale explicar aqui da mudança do nome do Instituto para KPJAY (K. Pattabhi Jois Ashtanga Yoga) foi feita por Sharat, que abandonou o nome original AYRI (Ashtanga Yoga Research Institute), e este foi assumido pelo aluno Lino Miele, na tentativa de seguir de forma mais próxima os ensinos de P. Jois.
A foto acima é um dos vários registros que possuo, de materiais desenvolvidos para que Lino Miele conduzisse junto com Sharat (e Eddie Stern) o desenvolvimento do Ashtanga Yoga Research Institute pelo  mundo.
Avanço capitalista
Os desmandos de Sharat e a tentativa de assumir papel único e exclusivo junto à imensa e crescente comunidade de Ashtanga Yoga, possui vários momentos de elevada temperatura.
Uma delas ganhou as páginas da revista Vanity Fair, quando Sharat abriu sociedade para uma rede de escolas com um investidor nova-iorquino, e decidiu montar um grande escola, advinha onde? Tokyo? Londres? Nova York? Los Angeles? Delhi? Hong Kong? Não, ele montou a escola em Encinitas, na California, ao lado da escola do tradicional professor Tim Miller. (Leia a reportagem aqui)
Lavagem Cerebral
Outro momento efervescente foi quando ele expulsou da lista de professores autorizados as principais referências do método tais como Tim Miller, Richard Freeman e até o próprio tio, filho de P. Jois, Manju Jois.
Além de excluir pela segunda vez, um de seus alunos mais famosos, Mark Robberds.
Manju chega a alertar a comunidade de Ashtanga da LAVAGEM CEREBRAL que é conduzida por Sharat em Mysore. (Veja artigo detalhado, com cópia das declarações aqui.)
Post do Instagram
Agora, em Julho de 2019, Sharat declara em seu Instagram (clique aqui) às vésperas do aniversário do avô, que não concorda com o método de ajustes ensinado pelo avô, que chama de impróprios, e correlaciona os ajustes a acusações de abuso e bullying. Porém a maior pérola surge quando ele diz apenas não entender como os estudantes mais velhos que ele (senior students, no seu texto) não fizeram nada em relação a abusos, não ofereceram suporte, e ajuda. (Como se ele o tivesse feito isto em algum momento). O texto se torna um pedido de desculpas por erros e abusos feitos pelo avô, e ele como único professor a reconhecer e pedir desculpas.
Sobre os abusos
Este é um assunto delicado. Não concordo com nenhum tipo de situação que um ser humano seja submetido a qualquer tipo de exploração. Seja homem, mulher, e outros animais também. Em pesquisa que realizei, com vários professores que estavam presentes a época, as acusações de abuso não são validadas. Pelo contrário, a maioria defende que nunca viu nenhuma expressão de interesse sexual por parte de P. Jois. Vídeos e fotos não captam isto, é preciso falar com quem estava lá, como fiz. A depender da forma, um beijo da minha avó pode parecer uma tentativa de sedução. É preciso seriedade nesta discussão.
De qualquer forma
Sempre é válido desaprovar qualquer tipo de abuso, e exploração, e o mundo do yoga com certeza não está isento disto, existem sim muitos casos, mas como acontece também em outras áreas infelizmente.
Estratégia de Marketing
Parece tudo  uma arriscada estratégia de marketing para se diferenciar como professor, e se colocar de forma única no mercado. Bastante discutível quando ele se diferencia e ataca o próprio avô, a origem da tradição, e fonte do método que é seu ganha-pão.

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