Li a reportagem de Marcela Buscato e Luiza Karam, na Revista Época, sobre a polêmica de um livro norte-americano que se autoproclama “a primeira avaliação imparcial do yoga feita em milhares de anos”.
Em reflexão acredito que seja válido alertar a todos para a importância da busca de bons profissionais.

Tenho dificuldade de entender por que a reportagem dá ênfase em alguns incidentes isolados ocorridos em aulas de yoga, e não dá o destaque à informação técnica, e fundamentada de que a prática do yoga “está longe de ser comparada com as lesões causadas por outros exercícios, como corrida, ciclismo, natação, ou musculação”, frase do porta-voz da Sociedade Americana de Ortopedia para Medicina Esportiva.

Senti falta, quando a reportagem pretendeu falar sobre o possível risco da prática de yoga a longo prazo, sem apresentar e conversar com os professores mais experientes e conhecidos, e que realmente viveram praticando yoga, como o Professor Hermógenes (90 anos) no Rio de Janeiro ou a Professora Monserrat (85 anos) no Paraná, os dois, bem ativos até hoje. Ambos brasileiros.

A reportagem se concentrou no professor uruguaio Pedro Kupfer, mas omitiu, ou desconheciam, que o mesmo professor já possuía lesões na coluna antes do acontecimento descrito. Lesões adquiridas por outros esportes. O mesmo professor descreveu a mim seu histórico de contusões para a biografia do Prof. Hermógenes. E o fato deste mesmo professor usar o yoga como forma de recuperação de seu problema.
A sobrevalorização de incidentes isolados acabam por ampliar reações de medo nas pessoas, e as mesmas, com a impressão de estarem bem informadas, estão apensas se isolando em um processo de maior discriminação, receio, e até mesmo preconceito.
Pessoalmente, conheço pessoas que vivenciaram a seguinte situação:
– Quebraram uma costela com um espirro;
– Danificaram a coluna com um solavanco do veículo que passou por uma lombada;
– Fratura exposta por pular na cama elástica em aniversário infantil;
– Queda violenta no play-ground (parquinho) infantil;
– Dedo do pé quebrado em aula de ginástica aeróbica;
– Dedo da mão quebrado ao procurar levantar o filho no colo; e por último,
– Sério comprometimento da vista por bolada de futebol (história do craque Tostão)

Penso em quanto devo aprofundar as informações, antes de generalizar o risco do espirro, da lombada, da cama elástica, do parquinho, da ginástica aeróbica, de pegar o filho no colo, ou jogar futebol.

Sugiro a quem quiser se aprofundar no assunto, o premiado livro na área médica sobre anatomia do yoga, chamado Anatomy of Hatha Yoga http://www.amazon.com/Anatomy-Hatha-Yoga-Students-Practitioners/dp/0970700601

Reportagem que comentei: http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/02/o-lado-perigoso-da-ioga.html

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