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Um Amigo Religioso

Tenho um especial amigo-irmão que admiro. Ele é padre e filósofo. Muito aberto para muitos saberes e bondoso o suficiente para me tirar dúvidas sobre várias questão religiosas, principalmente referente ao catolicismo. Deixo aqui uma das cartas que lhe escrevi, pois achei interessante compartilhar uma parte destes diálogos.





Querido amigo e irmão,

faço desta minha resposta um pequeno texto.
Pois são poucas as trocas que faço com tanto cuidado, mas você é merecedor disto.
Merecedor pois sinto profunda gratidão por seus esclarecimentos sobre a fé católica e por seu esforço em promovê-los.
Sinto-me pessoalmente e espiritualmente em um momento de grande crescimento e grande aprendizado.
Como lhe disse a proximidade como os trabalhos do Prof. Hermógenes, e sua profunda ligação  com os ensinos tanto ocidentais, quanto orientais, acabam por proporcionar isto.
Foi através de suas indicações de leitura, e também de seu livros que aprendi a entender um pouco mais a importância de Jesus Cristo.
Deixo claro que já não era pequena a relevância que tinha aprendido com meus professores budistas, Dalai Lama ou Thich Nhat Hanh.
Ambos com livros já publicados sobre Jesus, onde demonstram profunda reverência e admiração.
Percebo melhor hoje as parábolas sobre o Reino de Deus, em um sentido místico-metafísico, como de beleza e profundidade ímpares.
Em minhas reflexões tenho aprendido que o movimento iniciado por Jesus tem um caráter popular, de fala aos mais simples e não institucional ou organizacional.
Aprendo que o papel de Paulo (ex-Saulo) neste propagar da mensagem é fundamental.
Vejo como cada um que tenta fazer um entendimento mais profundo, acaba por se aproximar das citações de Paulo.
Chama a minha atenção que a busca pela “Verdade que Liberta” passa por um reduzir-se para que o “Cristo Viva” e possamos nos tornar “Um com o Pai”.
Aprendi que o movimento cristão, perseguido pelos romanos, e vivido por pequenos grupos de simples fiéis, ou padres do deserto, muda.
Muda com Constantino, o Edito de Milão, e a formação de um grupo de coordenação que antes não existia.
Quando tento olhar em paralelo, para as outras tradições, e perceber a busca por esta Verdade Libertadora, acabo por me encantar.
Encantado por encontrar esta busca no Hinduísmo, no Judaísmo, no Budismo, no Taoísmo, no Confucionismo e posteriormente, no Islamismo.
Cito estas, por encontrar escritos de buscadores e místicos nelas, que nos falam destas vivências.
É nesse paralelo que consigo aos meus olhos assemelhar as crianças de Lourdes, o sorriso de Thich Nhat Hanh, os pastorinhos de Fátima, a gentileza de Chico Xavier, a profunda entrega de fé de Rumi e o desejo de criança que elevou Santa Catarina.
Penso que existe a possibilidade de discutirmos se o ensinamento de Jesus é o maior de todos, se Chico Xavier tinha apenas poderes paranormais, que Thich Nhat Hanh tem uma visão ateísta, ou que o profeta Muhammad não recebeu mensagens diretas.
Mas também penso que este é um caminho que nos afasta da essência dos que se elevaram.
Talvez a habilidade de nos mantermos, não só em pensamento, mas em coração, buscadores desta essência, por qualquer caminho que se faça, nos elevará.
Nos tornará grandes, por que nos tornamos pequenos em diferenças, mas monumentais em amor e fé.
Espero que este texto lhe encontre em profunda vivência de alegria espiritual.

Seu, Irmão Vitor CarusoJr.
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