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Francisco de Assis e Gandhi iriam gostar

Artigo de Agosto de 2009 para o Jornal Ciência e Fé

mahatma gandhi

Pessoalmente tenho especial apreço sobre o exemplo, a vida e a mística de São Francisco de Assis, e também de Santa Clara. Sua visão mística que percebe a relação teológica vertical, com Deus, expressa na ação e teologia horizontal, com os irmão, com o próximo, o colocam na posição de grande reformador da Igreja Católico, ‘il poverello de Assisi”.

Que exemplo de personalidade mais atual São Francisco teria contato, penso em Gandhi. Muitos os colocam como as pessoas que mais se aproximaram em vida aos ensinamentos de Jesus Cristo, que dá simplicidade de da pobreza, elevaram a fé de muitos.

Seguindo estes exemplos, aprendendo e estudando a vida destes grandes personagens que dedicaram sua vida ao desenvolver da fé e do minimizar do sofrimento dos mais oprimidos, surge quase que linearmente, outro nome: Martin Luther King Jr.

Pastor protestante, assassinado em em 04 de abril de 1968, o mais jovem ganhador do Nobel da Paz em 1964, dizia que Jesus havia lhe dado a orientação, mas foi Gandhi que lhe ensinou o método. Existe uma direta relação do esforço e do trabalho pelo direito dos negros de Luther King, com a existência de um Barack Obama na presidência dos EUA nos dias de hoje.

Em sua carta para o Instituto Nobel, em 25 de janeiro de 1967, ele diz: “Conheço Thich Nhat Hanh, e tenho o privilégio de chamá-lo de meu amigo. Deixem-me compartilhar com vocês algumas coisas que eu sei sobre ele. Vocês vão encontrar neste único ser humano uma incrível gama de habilidades e interesses. Ele é um homem santo, pois ele é humilde e devoto…Thich Nhat Hanh oferece uma maneira de sair deste pesadelo, uma solução aceitável para líderes racionais. Ele tem viajado o mundo, aconselhando estadistas, líderes religiosos, eruditos e escritores, que recorrem a seu apoio. Suas idéias para a paz, se aplicadas, poderiam construir um monumento ao ecumenismo, à fraternidade mundial, para toda a humanidade. “

Isto seria suficiente para nos interessarmos por este monge vietnamita, mas infelizmente não o foi para mim, mesmo recebendo a mesma indicação de Thomas Merton, monge trapista, um dos mais reconhecidos e populares autores do catolicismo cristão, que elogia de maneira maravilhosa Thich Nhat Hanh em seu livro ‘Místicos e Mestres Zen”, mas chama ainda mais atenção na sua declaração de Junho de 1966, entitulada: “Nhat Hanh é meu irmão”, onde é colocado de forma expressiva: “Faça o que você puder por ele. Se eu significo algo para você, então deixe-me colocar desta maneira: faça por ele o que você faria por mim se eu estivesse na posição dele. De certa forma, eu gostaria de estar.”

Mas muitas vezes, nem as mais claras indicações nos colocam em movimento, mas ao estudar com o Dalai Lama, ficou clara a necessidade de aproximar-me deste ícone espiritual da humanidade. O Dalai Lama afirma: “Ele pode transformar a vida das pessoas e a vida da nossa sociedade.”

Depois de encontrar e estudar com o Dalai Lama por quatro anos consecutivos, decidi seguir seu conselho, ou melhor, o conselho de todos aqueles que já me apontavam este caminho.

Primeiro Encontro

Fui conhecer Thich Nhat Hanh, em uma palestra em Londres,, a palestra de Thay (como é chamajdo por seus alunos, significa mestre) se iniciava no final de tarde, na Friend’s House, casa pertencente à Comunidade Quaker. Parecia um daqueles tribunais antigos, que vemos em filmes, com capacidade para aproximadamente 250 pessoas, porém a amorosidade entre o público que chegava rapidamente transformava a percepção em algo amoroso. Aproximadamente 20min. antes do início, a irmã Chan Khong, que acompanha Thay desde 1965, inicia a explicação de alguns cantos, para que iniciássemos o desenvolver de um estado contemplativo. As músicas falavam de como poderíamos florescer como flores, sermos suaves como o orvalho, sólidos como uma montanha, e firmes como a terra. Suaves e lindas canções que rememoravam as características de liberdade que temos, e como reconhecer isto através da respiração atenta.

Depois dos cantos chega Thay, suave, lento e atento. Detalhes técnicos como microfone, e posição do sino são rapidamente resolvidos. Ele acolhe a todos com palavras doces e sorriso, e pede aos todos os monges presentes no palco, a cantarem em acolhida ao público, enquanto pede que o público comece a meditar concentrando-se no próprio respirar.

Quando realmente começa sua conferência, o estado do público já é de bastante tranquilidade, ao mesmo tempo, redobrada atenção. O tema da conferência foi “Tocando a Paz na Vida Diária”, e inicia de forma poderosa, ao falar sobre a importância de reconhecer a raiva existente em nós, para que com a plena atenção de nossa prática, possamos transformá-la. Explica o quanto é central para o Budismo a prática da plena atenção, e da concentração.

Um Ensinamento que Toca a Todos

Vários momentos da fala foram bem emocionantes. Orientações de como uma caminhada meditativa nos prova que cada passa que damos é livre, livre de perturbações, raiva, medo, inveja e outras emoções. Fala do quanto o potencial de uma mente atenta pode gerar possibilidade de curas em todos nós, e que esta mente atenta pode ser aplicada no beber, no dirigir, no beber e no respirar, pois não é necessário ir aos monastérios pra praticá-la. A parte mais emocionante deste dia foi quanto ele se referiu ao conceito de inter-ser na família. “Quando vemos uma filha, vemos também sua mãe, olhe para a mãe e poderá ver a filha. A mão da filha, é continuidade das mão de seus pais. Somos uma continuidade. Como podemos não compreender nossos pais? Em cada célula, somo a continuidade de suas células.” Ao final, abriu para perguntas e respostas, e uma das mais interessantes questões foi sobre como aplicar estas ideias em um país Cristão. Thay respondeu com outra questão: “Em que momento deixei de falar de Deus ou Jesus?” O público aplaudiu em choro, todo o ensinamento era sobre amor e acolhimento, de nossas emoções, de nossos familiares e amigos, não havia nenhum tipo de contradição realmente.

Confesso que terminei este primeiro encontro bastante emocionado, tinha entendido porque Thomas Merton, Martin Luther King e o Dalai Lama tinham enfatizado tanto a importância de conhecê-lo e aprender com suas palavras.

A partir daí, estar em retiros com Thay passou a ser algo a ser de valor inestimável, e valoroso. Thich Naht Hanh estabelece uma rotina onde mescla o silêncio, a prática da meditação sentada e caminhando, com momentos de palestra, e o tão especial “Dharma Sharing”, que significa a possibilidade de verificarmos em pequenos grupos a aplicabilidade, beleza, e profundidade do ensinamento.

Este ano, 2009, em Junho, estivemos para um retiro especial na França (fotos), em que Thay costuma aprofundar seus ensinamentos em inglês para praticantes mais antigos. Necessitaria de mais espaço para descrever a grandiosidade do aprendizado, e confesso que fomos surpreendidos no final, eu e minha esposa, pelo acolhimento dos praticantes que souberam de nosso trabalho aqui no Paraná, e encaminharam a nosso solicitação de ordenação, como professores-alunos-representantes de Thich Nhat Hanh, em uma linda cerimônia por ele conduzida.

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