Professor Hermógenes e o autor, Irmão Vitor,
no lançamento do livro AMARIA

Com frequência passo aos alunos a demonstração de vigor, alegria e lucidez do Prof. Hermógenes no vídeo “Medicina sem Remédios“, mas às vezes sinto que o impacto da mensagem parece reduzido, ou que até mesmo, a figura do Professor é tão ilustre que muitos chegam a acreditar que a proposta de uma vida mais natural é só para poucos seres de elevada consciência.
Mas o livro “A Verdade sobre os Laboratórios Farmacêuticos”, da médica Marcia Angell, da Universidade de Harvard nos dá motivação para irmos mais fundo nesta proposta.

A Verdade Sobre Os Laboratórios
Livro Revelador

No livro é demonstrado de forma direta que “que os laboratórios farmacêuticos canalizam a maior parte de seus recursos para o marketing de produtos de benefício duvidoso. Enquanto os lucros sobem vertiginosamente, os laboratórios têm a desfaçatez de usar sua fortuna e poder para impor o que é do seu interesse ao Congresso, a centros médicos acadêmicos e à FDA, órgão americano responsável pela regulamentação de alimentos e medicamentos. Concentrando sua atenção em fármacos de enorme sucesso como o AZT, o Taxol e o Claritin, a autora demonstra exatamente como novos produtos são lançados no mercado. Ela revela que os laboratórios farmacêuticos rotineiramente dependem de instituições financiadas com recursos públicos para sua pesquisa básica, que alteram ensaios clínicos para que seus produtos pareçam ser melhores do que são e que usam legiões de advogados para prorrogar por anos os direitos exclusivos de comercialização concedidos pelo governo.”
As graves acusações, e bem fundamentadas, são obra de uma médica que busca trazer a responsabilidade e a ética para a profissão médica. Já apontou, e conseguiu modificações na lei americana, em relação à próteses de silicone, como também denunciou a exploração através de testes com fetos africanos.

Mariana Angell

Em entrevista para o Conselho Regional de Medicina de SP afirma sobre outro grave problema, o modismo de drogas psiquiátricas para crianças:”…drogas psiquiátricas certamente estão sendo prescritas de forma abusiva a crianças. Digo isso baseada em pronunciamentos de especialistas que, muitas vezes, contam com vínculos financeiros com laboratórios farmacêuticos, em vez de comprometimento com estudos científicos. Nos EUA, por exemplo, observa-se que problemas de comportamento motivados por fatores sociais, econômicos e familiares passaram a ser enquadrados na categoria “distúrbios psiquiátricos” porque os psiquiatras que definem essas doenças têm conflitos financeiros de interesse.”
Ao mesmo tempo que é crítica da prática de medicinas alternativas sem pesquisas, nos chama a atenção para como estamos tratando os seres mais frágeis da nossa sociedade, como ressaltou em entrevista à Folha de São Paulo, de Outubro de 2011: “…Há hoje um evidente abuso na prescrição de drogas psiquiátricas, especialmente para crianças.

Crianças que têm problemas de comportamento ou problemas familiares vão até o médico e saem de lá com diagnóstico de transtorno bipolar, ou TDAH [transtorno de déficit de atenção e hiperatividade]. E é claro que tem o dedo da indústria estimulando os médicos a fazer mais e mais diagnósticos.
Às vezes, a criança chega a usar quatro, seis drogas diferentes porque uma dá muitos efeitos colaterais, a outra não reduz os sintomas e outras as deixam ainda mais doentes.
Drogas antipsicóticas estão claramente associadas ao diabetes e à síndrome metabólica. Estamos dando veneno para as pessoas mais vulneráveis da sociedade.”
Todo este panorama vem à tona, quando a excelente jornalista Eliane Brum, traz artigo para a revista Época, sobre relatório da  agência nacional ANVISA, sobre o uso das drogas Ritalina e Concerta, no Brasil, “aumentou 75% entre crianças e adolescentes na faixa dos 6 aos 16 anos. A droga é usada para combater uma patologia controversa chamada de TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. A pesquisa detectou ainda uma variação perturbadora no consumo do remédio: aumenta no segundo semestre do ano e diminui no período das férias escolares. Isso significa que há uma relação direta entre a escola e o uso de uma droga tarja preta, com atuação sobre o sistema nervoso central e criação de dependência física e psíquica.”
Eliane Brum
No mesmo excelente artigo ela apresenta os dados do relatório oficial, que nos espanta porque se “A TDAH seria um transtorno neurológico do comportamento que atingiria de 8 a 12% das crianças no mundo. No Brasil, os índices são bastante discordantes, alcançando até 26,8%”, melhor perguntando, porque estamos dopando tanto nossas crianças?
A jornalista propões 5 eixos de aprofundamento sobre a questão, que são:
1) A medicina e a definição da “normalidade”
2) A escola e o ciclo da medicalização da infância
3) A criança como objeto, não mais como sujeito
4) Ninguém se responsabiliza – ou por que a medicalização prospera
5) O marketing da indústria farmacêutica

Para quem quiser aprofundar a análise, vale a pena a leitura de seu artigo, O Doping das Crianças.
A toda esta discussão quero trazer a reflexão sobre nossa contribuição para a transformação deste terrível panorama social. O nosso melhoramento é contribuição significativa para que estes “crimes” não mais ocorram. Trabalhei por mais de 7 anos na área financeira de multinacionais farmacêuticas, e sei muito bem até que ponto a manipulação de informações, e favores, não refletem nenhuma preocupação com a saúde. Na crise pedagógica que não consegue lidar com nossas crianças, pais e educadores podem auxiliar na transformação, na crise alimentar devido ao estilo de consumo moderno, podemos buscar um novo rumo de mais saúde, e o tratamento médico pode sim, além de ser mais preventivo, buscar formas mais naturais de se manifestar. Para isto, as técnicas de meditação e yoga tem uma possibilidade transformadora significativa para a nossa sociedade. As pesquisas sobre o treinamento meditativo (mindfulness) fundamentam uma aplicação efetiva na psicologia cognitiva, com utilização das técnicas oriundas da psicologia budista. O yoga, não as posturas contorcionistas, mas a yogaterapia, com suas vertentes de alimentação (natural), e tratamento psicobioenergético, podem também nos levar a viver de maneira mais plena, à margem de um sistema corrupto e doentio.
Usarmos drogas para termos concentração, alegria, calma ou mesmo êxtase sexual é uma artificialidade doentia, que cobra caro por seus resultados. Uma vida saudável sempre necessitou de esforço, dedicação, e profunda compreensão do momento presente em que vivemos, e o esforço nesta direção, sempre, e até hoje, mostrou os melhores frutos.

Por Irmão Vitor Caruso Jr. em Fevereiro de 2013



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