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O medo tem suas raízes e explicações que podem diferenciar de acordo com a abordagem que se toma.
De acordo com a tradição da psicologia budista, o medo, assim com a raiva, são desdobramentos dos nossos desejos e nossos apegos.
Explicando de forma simples: queremos muito alguma coisa, ou somos muito a apegados a esta mesma coisa, então com medo de não a termos, ou perdermos, desenvolvemos raiva ou medo.
No Yoga Sutra, principal texto de referência da tradição do Yoga, se apresenta o conceito de Abhinivesa, simplificadamente apresentado como medo da morte, e se analisado em sua extensão, pode-se dizer que é a raiz de todos os medos.

É preciso estar fora da zona de conforto na superação dos medos


Nossos medos podem aparecer de diferentes formas, como ao dirigir um veículo, nadar no mar, altura, assalto, perda financeira, e até casamento, cachorro, ou de ficar doente. Alguns aparecem apenas em algumas situações, outros acabam por nortear todas as nossas ações.
Diversas terapias podem auxiliar para que lidemos com o medo de forma diferente, como terapia de florais, Programação Neurolinguística e um acompanhamento psicológico.
Em todas estas possibilidade terapêuticas, a zona de conforto, ou seja, estar longe da fonte de pavor, deve ser trabalhada. A tentativa de defesa psicológica, de evitar, ou criar uma desculpa, para não se trabalhar o medo é sempre frequente. E a mente é muito criativa na tentativa de achar desculpas.
É papel do terapeuta conduzir a pessoa até fora da zona de conforto, como forma de averiguar o enfrentamento e resultados de cura em relação ao medo. Vejo com frequência alguns terapeutas reforçarem a estrutura de medo das pessoas, como forma de ganhar confiança, e também ganhar clientes, não auxiliando o desenvolvimento possível e necessário do indivíduo. Acabam por se comportar como uma espécie de “doutor bactéria” que vê possibilidade de contaminações em todos os lugares.
No Yoga, este teste aparece a todo o momento, na forma de respirar durante a prática, nos desafios de posturas mais difíceis, na tentativa de se comprometer com algo novo e desafiante. É comum muitos alunos estranharem a quantidade de desafios que o Yoga pode propor, e muitos, inclusive professores e praticantes de Yoga, recorrem à justificativas para não se deslocarem da zona de conforto. Inconscientemente restringindo o poder de cura e transformação disponíveis no Yoga, e adulterando-o para uma prática de reforço de crenças limitantes, conforto e bem-estar.
Por isto, muitas vezes o papel do bom professor de Yoga não é ser simpático, mas o crescimento dos alunos é o resultado positivo deste risco. E é desta forma que os professores sempre transmitiram a seus alunos os benefícios desta antiga tradição.

Lino Miele, professor de importância histórica para o entendimento do Ashtanga Yoga, e mestre de Vitor Caruso Jr.


Vitor Caruso Junior

Vitor Caruso Junior

Biógrafo, aluno e amigo do precursor da Yogaterapia no Brasil e um dos maiores escritores do Yoga no mundo, o Professor Hermógenes. Professor certificado por Lino Miele, único aluno de Pattabhi Jois autorizado a escrever sobre o Ashtanga Yoga, cujo manual Vitor traduziu para o português. Ordenado na tradição Zen pelo Mestre Thich Nhat Hanh, indicado a Nobel da Paz por Luther King. Vitor curou-se de forma extraordinária de um câncer, e trocou a vida de executivo por ensinar as formas de transformação e cura que deram tanto resultado em sua vida. Além do livros citados acima, já escreveu em parceria com Monja Coen, Leonardo Boff e Dra. Zilda Arns, entre outros. Recebeu prefácio em um de seus livros da neta de Gandhi, Ela Gandhi, sobre seus escritos a respeito do Ahimsa - Não Violência. Vitor dá cor e sabor de forma especial à Excelência e Qualidade na vida, não só em atendimentos individuais, mas em palestras e consultorias por todo Brasil.

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