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Acordar cedo pela manhã e ter que praticar várias posições esquisitas.
Esta talvez seja a rotina de um bom praticante de Hatha Yoga.
Mas será que isto não é disciplina para poucos?
Vivemos em uma sociedade onde cobranças já são demasiadas, e as necessidades de realização nos provocam enorme estresse, e o descanso é uma das maiores vítimas.
Neste cenário, mais um compromisso, de esticar e trabalhar o corpo, parece mais uma cobrança desnecessária e algo que aumentará ainda mais a condição de estresse.

Grandes professores da tradição do Ashtanga Yoga. Uma prática de Hatha Yoga de intenso trabalho para o corpo, como caminho de transformação.

Esta linha de argumentação faz todo o sentido, e por este olhar, a prática do Ashtanga Yoga beira o fanatismo. 6 vezes na semana, mais de uma hora de dedicação a posturas e contorcionismo.

Pois bem, esta é uma visão comum, mas que direciona a muitos a uma condição de dificuldades na solução de alguns enfrentamentos que precisamos fazer.
Vamos mudar este cenário!

Quem é pai, ou mãe, sabe do amor intenso que temos por nossos filhos.
Sabemos que muitas vezes nossos filhos não agem da melhor maneira que deveriam.
Ou não querem tomar banho, ou não se protegem do frio, ou querem comer algo indevido antes das refeições, entre as coisas menores. E sabemos que a consequência de suas ações será uma condição ruim para eles mesmos.
Podemos impedir, ou deixar que aprendam por si, mas não deixamos de amar.
Ampliando a visão do Criador como Grande Pai, assim como o Jesus o fez, podemos vislumbrar a ideia de Plena e Ampla amorosidade do Criador.
Fica daí fácil de perceber o bem que o Criador deseja à criatura.
O Amor de Pai para filho.
O corpo físico sendo empréstimo temporário do Pai para a expressão da vida do filho teria prioridade de cuidados sobre esta visão mais espiritual. A ideia do templo onde a prece se estabelece. Sendo a prece nossos pensamentos e gestos, temos no cuidado com o templo uma chance especial de criar uma ambiente muito propício para sublimes pensamentos e gestos. Ao cuidar do templo, manifestamos integração com o Criador, e propiciamos ambiente adequado para esta manifestação de espiritualidade.

Do ponto de vista das Ciências Biológicas, as células, sistemas circulatório, digestório, excretor tem melhores resultados em um corpo (templo) bem cuidado, e servem de base para a produção de melhores e mais positivas emocionais, estas que sustentam a produção de hormônios, que quando não são positivas, geram forte impacto deletério ao próprio corpo.

Especificando ainda mais, do ponto de vista das Neurociências, aprecio o trabalho do professor de Harvard, John Ratey, que mostra como a intensidade das práticas físicas, tais como o Ashtanga Yoga, produzem equilíbrio neuro-hormonal de forma mais efetiva do que remédios como o Prozac ou a Ritalina.

Isto tudo nos leva a uma reflexão mais profunda, sobre nossas prioridades, e nossos objetivos. Com certeza a busca espiritual, a meditação, a mente tranquila são objetivos a serem valorizados. Mas criar toda a condição possível para a realização destes objetivos também é parte do mesmo projeto. Cuidar do corpo, é cuidar da mente, não estão separados.

Esta última frase foi um dos maiores aprendizados que tive com meu professor de meditação, o mestre Zen Budista Thich Nhat Hanh, indicado a Nobel da Paz por Luther King. Em perguntas que lhe fiz sobre este assunto, ele me contestou: Quem fez esta separação entre mente e corpo, entre espiritual e físico?

Vitor em momento de descontração com um dos maiores mestres budistas da história, seu professor Thich Nhat Hanh

Vitor e o Mestre Zen Thich Nhat Hanh, expoente na história do Budismo

Neste vídeo, uma explanação sobre a motivação para a prática de Ashtanga Yoga


Vitor Caruso Junior

Vitor Caruso Junior

Biógrafo, aluno e amigo do precursor da Yogaterapia no Brasil e um dos maiores escritores do Yoga no mundo, o Professor Hermógenes. Professor certificado por Lino Miele, único aluno de Pattabhi Jois autorizado a escrever sobre o Ashtanga Yoga, cujo manual Vitor traduziu para o português. Ordenado na tradição Zen pelo Mestre Thich Nhat Hanh, indicado a Nobel da Paz por Luther King. Vitor curou-se de forma extraordinária de um câncer, e trocou a vida de executivo por ensinar as formas de transformação e cura que deram tanto resultado em sua vida. Além do livros citados acima, já escreveu em parceria com Monja Coen, Leonardo Boff e Dra. Zilda Arns, entre outros. Recebeu prefácio em um de seus livros da neta de Gandhi, Ela Gandhi, sobre seus escritos a respeito do Ahimsa - Não Violência. Vitor dá cor e sabor de forma especial à Excelência e Qualidade na vida, não só em atendimentos individuais, mas em palestras e consultorias por todo Brasil.

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